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quarta-feira, 28 de julho de 2010

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Era um sábado de manhã, como todos os dias, eu acordava com a dor de cabeça de sempre. Acordei sem abrir os olhos e tateei para achar meu remédio e meu copo d’água na cômoda ao lado da minha cama. Coloquei o remédio na boca e bebi a água, e coloquei os mesmos em seus devidos lugares.
- Me dê um único motivo, mais convincente, de eu ter que acordar tão cedo hoje. - Perguntei, sabendo que Victória estava lá abrindo as cortinas.
- Ah, o único motivo é que seu casamento será hoje a tarde, e se não acordar agora, chegará à Igreja com olheiras tão horrendas que seu noivo desistirá de casar com você no primeiro momento.
Com essa eu tive que rir.
- Ah, por favor, Victória, você sabe que Frederico nunca desistiria de mim, não depois de tanto tempo lutando para eu aceitar o seu pedido de casamento. – Sentei-me na cama e soltei um gemido ao ver a luz do Sol. – Mas tudo bem, eu acordo por você. – Eu sorri gentilmente para ela, e ela retribuiu meu sorriso saindo do quarto.
- Tome seu banho calmamente Mary, o banho é a parte que você deveria ter menos pressa.
Victória mesmo sendo uma serviçal da casa, me chamava só de Mary, porque cuidava de mim desde que eu me lembro. Trocou minhas fraldas, me deu banho, me viu crescer e me tornar uma garotinha, e me viu eu me tornar uma mulher, e hoje, era a última vez que ela estaria cuidando de mim. E ao contrário do que pensem, ela não estava choramingando pelos cantos, estava triste, claro, mas estava com a sensação de missão cumprida, de que tinha cuidado de mim direito e que era a hora de aprender a cuidar de mim mesma.
Tirei o cobertor tomei coragem e levantei da cama, mordi um pedaço da maçã que Victória deixara pra mim e com um forte suspiro, me dirigi até o banheiro.
É estranho, pensar que hoje eu me casarei com Frederico, tal cara me enfeitiçava, com seus olhos negros e profundos. Quando coloco o roupão e saio do banheiro alguém toca a minha porta.
- Vamos Mary, não tenho muito tempo pra me despedir de você. – A voz de Matt era inconfundível.
Ri e depois disse:
- Se você puder esperar seria muito gentil de sua parte, já que tem uma mulher prestes a se casar nesse quarto. – Vesti um vestido qualquer e abri a porta e mal acreditei no que vi. Matt de terno, muito bem vestido, - e pra todos os efeitos, estava deslumbrante – e com o cabelo arrumado alinhadamente. Sorri impressionada.
- O que foi? Eu não posso fingir ser sociável só porque você está se casando? – Ele dá uma volta.
- Meu Deus Matt, até me sinto lisonjeada, você só se arrumou assim pra me mostrar o quão você é bonito?
Ele passou a minha frente e – mal educadamente – sentou na minha cama.
- Você está louca? Acha mesmo que vou me arrumar pra você? Só estou arrumado assim porque minha mãe insistiu muito e eu estava pensando, porque eu não consigo uma noiva pra mim também?
Nós rimos e eu sentei ao seu lado.
- De verdade Matt, eu vou sentir sua falta.